Estou voltando pro Brasil, onde deixei parentes, amigos e um amor por sete anos. Fui para Londres com 18 anos. Hoje já tenho 25. O tempo passou muito rápido. Será que meus amigos se lembrariam de mim? Ou aquele garoto que deixei para trás ainda sente o mesmo que sentia antes? Bem, talvez não...
Ao descer do avião, avistei uma plaquinha escrita “Cecília aqui!” Será que não reconheceria minha mãe maluca e meu pai careca e maluco? Como eu disse, são malucos. Já sei da onde puxei isso.
- Mãe!! Pai!! – Gritei e abracei os dois.
- Cecília, como ocê mudou! – Disse minha mãe, Carla.
- Claro né, mulher! Sete anos!
- Achou algum namoradinho lá?
- Mãe, não é melhor ir pra casa e conversarmos depois? Ainda estamos no meio do aeroporto. E não, não arranjei nenhum “namoradinho” em Londres. – Sorri.
- Que bom, porque o Alexandre depois que soube que ocê ia vortar, ficou louco. Não para de falar em ocê. – Falou meu pai.
- E-ele não está namorando? Ou casado? – Perguntei, jurava que podia ter brilhinho nos meus olhos.
- Não, minha filha. Esperou esses sete anos por ocê. – Minha mãe sorriu. Por mais que ela seja doida, eu podia contar com ela, que era uma boa mãe. – Ele trabalha na roça com a gente, dando uma força pro teu pai. Ocê sabe né, minha filha? Ele sempre foi um bom garoto. Agora ta bunito. – Sim, moramos no campo. Interior de Campo Limpo Paulista. Depois de uma longa viagem do aeroporto pra minha antiga casa, chegamos.
- Nossa, aqui não mudou nada. – Sorri ao relembrar de quando eu ficava correndo por aquelas plantações, mato e brincando com os animais. – Isso aqui me fez uma falta. – Retirei minhas coisas do carro com a ajuda do meu pai e levei pra dentro. Meu quarto era no mesmo lugar, mas tinham redecorado. – Guardei as roupas da mala e sai do quarto. E com quem me deparo? Com ele mesmo, Alexandre. Se você acertou parabéns, uma estrelinha pra você. – Oi, nossa, - Falei o observando dos pés a cabeça. – Você não é mais aquele moleque magrinho e fraco de antes. – Rimos. Ele estava com os músculos a mostra, não eram muitos.
- E você não mudou nada também né?
- Uai! – Disse imitando meu pai. – ocê não tem sotaque não?
- Não, - Ele riu. – Quando viajei pro centro, ninguém falava assim, tive que aprender a falar do jeito deles, bem, você também né? – Ele coçou a nuca. – Fiquei apenas dois meses lá. Logo voltei pra ajudar seu pai com as plantações e com os animais.
- Hum... – Peguei um pedaço do bolo que estava na mesa. – Mãe, estava com saudades desse bolo que só a senhora sabe fazer. É tão bom. – Comi em silêncio, desfrutando daquele gosto.
- Quer ir andar? – Perguntou Alexandre depois que eu comi.
- Simbora. – Falei rindo.
- Lembra desse cavalo? – Ele perguntou trazendo um cavalo branco.
- Chavez! – Eu adorava o Chavez e coloquei o nome dele assim. – Quanto tempo, meu garoto!
- Você mudou... – Ele riu. – Mudou sua aparência, mas não seu jeito. – Ele deu um sorriso torto.
- Você também está muito mudado. Achou que ia ser o mesmo sempre? – Mostrei a língua.
- Aquele menino fraquinho e feio? – Alexandre riu. – Prefiro esse homem forte e bonito que sou hoje.
- Hum, exibido. – Eu ri. – Vamos naquela cachoeira aqui perto?
- Aquela? Tudo bem. – Ele foi na frente e eu o segui. – Chegamos. Cuidado pra não escorregar...
- Eu vou entrar.. – Falei indo de baixo da água.
- Dizem que a água da cachoeira tira as coisas ruins.
- Sério? Que legal. Vou entrar agora mesmo.
- Claro que não. Vou entrar primeiro pra ver se não tem nenhum perigo pra mocinha. – Ele passou por mim. – Hey, lembra quando brincávamos que você sempre queria ser o bandido e falava pra eu ser a mocinha? Eu achava que você pensava que eu era gay. – Ele fez uma careta.
- Ah, eu nem sabia o que era gay. E eu gosto de ser a ladra, então agora você é o mocinho. Fraco e indefeso.
- Eu não sou fraco e indefeso! – Ele fez bico. E me pegou pela cintura e me beijou. O beijo que não sentia a sete anos, o qual senti saudades. – Senti sua falta. – Ele me abraçou.
- Eu também. – Voltamos para a casa e passamos o dia bem. O que dizer pro final? Casamos-nos, tivemos dois filhos e já somos avós. Passa rápido não? Menos quando você está longe da pessoa que você ama. Então, o quanto antes, fale que você a ama, pois um dia ela vai estar com outra pessoa.
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